quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O castelo de Chambord: harmonia misteriosa de força e delicadeza


Que maravilhoso conglomerado de torres! Quanta força! Quanta solidez!

Mas, ao mesmo tempo, o seu conjunto produz uma sensação de harmonia e delicadeza.

Há uma nobreza nesses tetos azulados que descem tão harmonicamente até a parte de cantaria de pedra, assim como algo de vigoroso nessas rochas agarradas ao chão, que parecem dizer: "Quem quiser me derrubar, se espatifa; quem quiser arrancar-me do solo tem que tirar o mundo dos seus próprios gonzos, porque eu sou uma torre do Castelo de Chambord e ninguém me tira daqui".

Que harmonia misteriosa nessa conexão entre a força e a delicadeza; entre o planejado do castelo e o espontâneo aparente da disposição das torres!

Como é belo ver qualidades antitéticas juntas.

Por que oferecem beleza especial as qualidades harmônicas opostas quando juntas?

Porque um dos princípios da beleza é o da unidade na variedade, que é a melhor imagem de Deus na criação natural e exprime uma das formas de perfeição que Deus pôs no Universo.


Portanto, deve ser uma das exigências da alma humana. Assim, o espírito humano tende a contemplar o que é uno, mas também o que é vário, diverso e movimentado.

Nesse castelo, há unidade na variedade. Contemplando-o, minha alma repousa e ao mesmo tempo se eleva até Deus.

Que beleza, que elegância, que distinção, que nobreza, que grandeza, que requinte! Como isso nunca se conseguiu a não ser na civilização cristã!

Como, ó Senhor Jesus Cristo, é fecundo Vosso sangue, pois, mil e quinhentos anos depois de Vossa morte, dele ainda nasce essa flor e desabrocha esse encanto!

Senhor Jesus Cristo, Vós sois a fonte de toda graça, de toda glória e de toda beleza. Eu Vos adoro!

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 10 de julho de 1972. Sem revisão do autor.

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Chambord no vale do rio Loire foi construído pelo rei Francisco I a partir de 1519, e é uma das obras-primas do estilo renascentista francês. Embora feito já na Renascença ele incorpora muito elementos essenciais dos estilos medievais.


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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A abadia fortaleza do Monte Saint-Michel reluz ao perfazer 1300 anos

Em 1º de maio, o santuário, abadia e fortaleza do Monte Saint-Michel comemora seus 1.300 anos.

Foi fundado no remoto ano de 708 sobre o monte Tombe, na Normandia, França.

Os festejos incluem mostras, concertos e colóquios.

A restauração dos prédios da mítica ilha-abadia e a recuperação do seu caráter insular exibirão grandes progressos para este aniversário.


Quando os prédios modernos atingem um certo número de anos ficam abandonados, sujos e decrépitos e só se pensa em demoli-los para fazer qualquer outra coisa em seu lugar.

inegável ação de presença do general em chefe das milícias celestes, o Arcanjo São MiguelMas os prédios medievais quanto mais antigos mais inspiram veneração e desejo de resguardá-los, ainda que custe muito dinheiro.

É que eles são portadores de uma coisa que não tem prezo: a bênção e a unção sobrenatural da Civilização Cristã.

Acrescida, no caso do monte-abadia, da inegável ação de presença do general em chefe das milícias celestes, o Arcanjo São Miguel.



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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A certeza na missão da nobreza e a supervivência dos castelos

Wissekerke, Belgica
Um outro fator de decadência dos castelos foi a perda de convicções na família nobre com respeito a sua missão histórica, ligada visceralmente à religião católica, a monarquia e a oposição aos fatores de desagregação moral e igualitários do mundo moderno.

Escreveu o já citado d’Ormesson:

A segurança que me envolvia inteiramente estava longe de ser a segurança social, resultante de um acordo entre homens. Eu estava literalmente entre as mãos de Deus.

Ele não estava morto e velava sobre mim e portanto nada podia acontecer-me, a não ser peripécias sem sérias conseqüências. Poderia morrer, naturalmente. E então?


O mérito e o talento não entravam em nosso sistema familiar, mas a morte entrava ‒ e muito bem ‒ pois os mortos exerciam na família um papel mais importante do que os vivos. Alem do mais, éramos cristãos.

Parece-me que naqueles tempos a morte nos causava menos horror do que hoje em dia. Ela não nos inquietava tanto. A morte, para um cristão, não é a finalidade da vida?

É com essa concepção, suponho, que o velho Eléazar partira para o Oriente, com uma cruz no peito; que nós nos tínhamos feito matar pelo rei e pelo papa nos campos de batalha ‒ lançado nossas cabeças, vazias de idéias mas carregadas de fé ‒ do pé dos cadafalsos.

Hargimont, Belgica
E com essa mesma concepção que meus tios reacionários e meus primos monarquistas encontraram a morte na África e na Ásia para maior glória de uma república detestada.

A alegria que tomava conta de mim ao contemplar os jardineiros varrer o pátio de château ou M. Machavoine em seu afã de dar corda nos relógios ou ao ler o jornal matutino ou L'Illustration que Antonin Magne ganhava o Tour de France, era uma alegria mística.

Os grandes acontecimentos despertavam em meu avô um suspiro: “Que época!”, pois ele via que os homens punham areia nas engrenagens de Deus.

Quanto aos pequenos acontecimentos, via-se que Deus prosseguia com seu plano. Deus abandonava a seu destino terrível os Lugares Santos, Jerusalém, Moscou, Constantinopla, Baden-Baden, Dauville, Paris e talvez até mesmo Roma cegada pelo modernismo.

Mas ele ainda cuidava bem de nosso château, dos jardineiros e seus jardins, dos relojoeiros e seus relógios.

Essa felicidade tão calma, essa certeza tão sólida era entretanto um pouco triste.

Utrecht
Quando me despertava, ninguém me sussurrava o que o valet de chambre do outro Saint-Simon lhe dizia: “Despertai, Monsieur le comte, pois tendes grandes coisas a fazer”.

Mas de que grandes aventuras poderíamos nós sonhar, visto que nossos antepassados e Deus tinham se encarregado de tudo?

Só tínhamos uma coisa a fazer: perturbar o menos possível o que restava dos tempos antigos. Mal ousávamos ler, falar, respirar, escutar.

Quem sabe se ao mexer não romperíamos mais um pouco o equilíbrio, hoje tão frágil em razão das más idéias que cresciam como urtigas?

Tratava-se de não se mexer, de não tocar em nada, tapar os ouvidos e os olhos, vigiar todos os cantos para salvaguardar a santa imobilidade da verdade, do belo e do bem.

(Fonte: Jean d'Ormesson, “Au plaisir de Dieu”, Ed. Gallimard, 1980, 626 páginas.)



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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Origem e morte do castelo depende da moral e da religião da família nobre

Montreuil-Bellay
O castelo está intrinsecamente ligado a uma família. A família é a alma do castelo.

Tudo nele, grande o pequeno, carrancudo ou charmoso, é a manifestação do espírito de uma linhagem.

Como tantos deles ficaram abandonados e até viraram ruínas?

Quanto mais se procura, encontra-se quase infalívelmente o mesmo fato:a família que o criou e/ou habitou, previamente decaiu. As causas alegadas da decadência podem ser diversas: guerras, desastres naturais...

Porém, sempre se encontra uma grande e decisiva causa: a crise moral e religiosa da família nobre que foi a alma do castelo.

O acadêmico Jean d'Ormesson, de nobre origem, escreveu sobre a escalada dos prazeres, a infidelidade conjugal e a morte da vida em muitos castelos:


As concubinas tiveram na história de minha família e de seu enfraquecimento um papel comparável ao de Robespierre, de Darwin, de Karl Marx, das quintas-feiras negras de Wall Street, de Freud, de Rimbaud e de Picasso: elas abalaram um pouco mais algumas das colunas de nosso velho templo apodrecido.

Challain
Nunca meu avô disse-me uma palavra, nem a outra pessoa da família, creio eu, a respeito do que sucedia conosco. Eu me perguntava se ele compreendia o que se passava. Não estou certo. Mas ele sentia que a ordem tinha sofrido danos. E esses danos envenenaram os últimos dias de sua vida.

A liberdade dos costumes tinha tomado, um pouco misteriosamente, ares de destruição. A libertinagem passava lentamente para o lado da morte e do desespero.

Havia algo de tresloucado e de crepuscular em nossos prazeres ilícitos. Não era difícil perceber, sob a alegria e as trepidações, o gosto da fuga, da vertigem, a fascinação pelos torvelinhos, uma sede ardente de delírios.

Não era mais à volúpia que nos abandonávamos: era a todos os abismos do aniquilamento.

Nada se assemelhava tanto ao suicídio como as loucuras de pessoas enfadadas com o mundo e entregues aos prazeres proibidos, irremediavelmente ligados a uma situação econômica e social e à decadência política e moral. Vivíamos irritados numa civilização cansada. Cansada dela mesma, cansada de nós.

Mayenne
Enquanto nós nos enchafurdávamos na fruição duvidosa de todas as liberdades, outros se punham a dançar nas ruas, a passear de braços dados sob o sol de verão, a acampar nas praias e florestas, a descobrir o mundo ingênuo de cujo charme desgastado nós fugíamos: era o povo.

No horizonte já se anunciava o Front Populaire. E nós usávamos nossas últimas forças a renegar todas as regras que, tendo feito nossa grandeza, agora nos asfixiavam.

Víamos de modo obscuro que uma nova moral ia surgir e que não mais seríamos a classe dominante. Por isso nos lançávamos em nossa própria negação.

E meu avô, sozinho, abatido pelos anos e mais ainda pelo futuro, permanecia de pé, imóvel como uma estátua do Comandante despojado de todo prestígio, como a pedra testemunhante de uma moral ultrapassada.

(Fonte: Jean d'Ormesson, “Au plaisir de Dieu”, Ed. Gallimard, 1980, 626 páginas.)
Hoje, certas famílias nobres se perguntam se não é para enterrar esse liberalismo moral, assassino da família.




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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Vaux-le-Vicomte e sua inesquecível festa

Vaux-le-Vicomte


Nicolas Fouquet (Paris, 27 de janeiro de 1615 Pignerol, 03 de abril de 1683) foi visconde de Melun, Visconde de Vaux, marquês de Belle-Île, e todo-poderoso Superintendente de Finanças do rei Luis XIV.

Também foi protetor e padroeiro dos escritores e artistas.

Em 1653, ordenou a construção de um magnífico castelo em Vaux-le-Vicomte.

Reconstituição histórica para Natal, 2010
A propriedade inicial, em verdade, fora adquirida antes de sua nomeação como superintendente, e constava apenas de um velho palácio rodeado por terras não cultivadas.


Em 17 de agosto de 1661 o visconde ofereceu ao Rei Luís XIV uma festa suntuosa, com jatos de água, fogos de artifício, um banquete para 1.000 comensais.

Na ocasião foi interpretada a peça Fâcheux de Molière, composta especialmente para o evento.


Retrato de Nicolas Fouquet,
por Édouard Lacretelle
Luis XIV ficou desconfiado vendo tal esplendor na casa do ministro das Finanças, enquanto as arcas reais estavam vazias e começou a suspeitar da fonte de tanta riqueza.

Fouquet ofereceu Vaux-le-Vicomte ao rei como presente, mas a oferta só fez aumentar a desconfiança do rei.

Veja vídeo
Vaux-le-Vicomte:
rememoração de uma
festa histórica...
que deu na prisão
do ministro de Finanças
que a fez!


Ao contrário do que diz a historiografia tradicional, este celebração extravagante em Vaux-le-vicomte não foi a causa que motivou a prisão de Fouquet.

De fato, a real decisão já estava tomada, no entanto, a festa explica a determinação de Luis XIV em acabar com esse ministro esbanjador.

Fouquet foi deposto em 1661 e morreu na prisão.




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